sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Espero cansada...por um novo amanhã


Sinto-me cansada (muito cansada)...

Cansada de pensar que tenho de acordar e enfrentar as mesmas coisas que enfrentei nos dias anteriores, nada de novo passa no meu caminho de ida e de volta a casa.

Acordo, preparo-me, tomo o pequeno-almoço, lavo os dentes e vou com o meu pai até à paragem de autocarro, lá estou com alguns dos meus amigos...nada de novo se passa...

um silencio paíra no ar...

...



a mesma frase ocorre todos os dias: "Está frio!", ou então, "O autocarro já vinha!".



Finalmente, o autocarro chega...atrasado algumas vezes (talvez para quebrar a monotonia do seu horário), espero que chegue a minha vez para puder entrar, sento-me do lado da janela (gosto de admirar a paisagem e de ver as coisas simples da vida), no entanto, quando olho verifico que já vi aquelas coisas durante anos e anos, nada mudou, apenas os anos passaram e as coisas com o tempo, foram envelhecendo, outras...foram-se renovando.



Continuando no meu itinerário...

a viagem parece-me eterna (e dura menos de 15 min), o autocarro pára inúmeras vezes por causa do trânsito e de umas obras que parecem não ter fim.



Saío do autocarro...

deparo-me que ainda vou ter de caminhar uns bons metros até chegar à escola. Pelo caminho que percorro penso na vida que levei até agora, penso no que fui, no que sou e no que serei e por vezes sinto-me feliz porque um amanhã virá e tudo será diferente, mas por outras sinto-me triste, pois esse amanha parece-me tão distante que me magoa.



Além disso, para me entreter e não pensar em coisas tristes, vou vendo as montras, olhos para os prédios que me rodeiam, para as pessoas que fazem o mesmo que eu, para as vitrines dos cafés, para os pássaros que procuram migalhas no chão...

Todos os dias faço isto, tento dinamizar, mas nada há a fazer, ando numa desmotivação tal que só de pensar que tenho de acordar para ir para a escola me agonio.



Finalmente cheguei à escola, passo o cartão e recolho-me a um corredor quente, os alunos encontram-se encostados às paredes a conversarem (como sempre), eu olho-os digo "bom dia" com um sorriso de alegria e continuo a caminhar até chegar ao bar, onde lá se encontram os meus amigos e o resto dos alunos da escola. Sento-me, converso um bocado (ou então apenas escuto), o resto dos meus amigos chegam...o meu namorado (a única coisa que dá cor À minha vida e que me faz levantar da cama todos os dias), digo-lhes "Bom dia ratoilos" e dirigimo-nos para a sala da aula correspondente ao dia da semana.

Entramos para a sala, a professora começa a leccionar a matéria e eu sinto-me tão cansada que não consigo adquirir a maior parte da informação, olho mil e uma vezes para o relógio, mas até o tempo está contra mim (parece que o tempo pára), a única coisa que me apetece é sair daquela sala. Faço desenhos, conto os minutos que faltam e escrevo-os na mesa, faço resumos de matérias anteiores, distraio-me...não me apetece fazer nada, já fiz tudo o que tinha a fazer ontem, na semana passada, no ano passado...conclusão...à 12 anos. Penso, reflicto e digo: 12 anos, mais de uma década a estudar, tanto tempo se passou...parece que ainda ontem era uma criança e hoje encontro-me com quase 18 anos. Reparo...como o tempo passou, e penso...será que aproveitei tudo o que a vida me proporcionou?

Finalmente toca...
Uns míseros 15 min. de intervalo esperam por mim, quer dizer...apenas 5 min. Os outros 10 min. perdem-se na descida para o exterior e na subida para a sala correspondente.

Volta a tocar...digo: "Não me apetece nada ter aulas", fico triste. Sinto-me inútil nesta vida, nada de novo se passa, tudo é tão monótono e estúpido para mim.
Entro na sala e o blá blá blá do costume...sinto, que não quero estar ali. E assim sucessivamente, dia após dia, hora após hora, minuto após minuto.

O dia acabar, sinto-me tão ou mais cansada do que me deitei no dia anterior. Chego a casa janto e só me apetece é ir para a cama...nada mais tenho a fazer do que apenas descansar. No entanto, apesar de me apetecer...não o faço...não quero que o tempo passe depressa, não quero fazer a mesma coisa que faço todos os dias: ACORDAR!

O que eu sinto é uma desmotivação, que me deixa triste e desgasta.
Tudo continua igual, penso...amanhá é um novo dia.
Talvez o sol me volte a dar o brilho que eu preciso para voltar a sorrir, para ser feliz, para quebrar a monotonia da minha vida e que deita abaixo cada bocadinho de mim através d0 cansaço que se instalou em mim.


Amanhã é um novo dia!
Veremos o que tenho nos socalcos que tenho no caminho que percorro.


Andreia Vidal '