quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A Árvore dos meus amigos


"Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples facto de se terem cruzado no nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro. A todas elas chamamos de amigo.
Há muitos tipos de amigos. Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles.
O primeiro que nasce do broto é o amigo pai e o amigo mãe. Mostram o que é ter vida.
Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós. Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem. Mas o destino apresenta-nos outros amigos, os quais não sabíamos que se iam cruzar no nosso caminho. Muitos desses denominados amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz...
Às vezes, um desses amigos do peito estala o nosso coração e então é chamado de amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés.
Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo em que estamos por perto.
Também, não nos podemos esquecer dos amigos distantes. Aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra.
O tempo passa, o Verão vai-se, o Outono se aproxima-se, e perdemos algumas de nossas folhas.
Algumas nascem num outro Verão e outras permanecem por muitas estações.
Mas o que nos deixa mais feliz é que as que caíram continuam por perto, continuam alimentando a nossa raiz com alegria. Lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam com o nosso caminho."
"Cada pessoa que passa em nossa vida é única. Deixa sempre um pouco de si e leva um pouco de nós. "
P.S.: A todos os amigos que se cruzaram no meu caminho, um grande Obrigada =D

Muralhas da Vida

Ela, uma rapariga aparentemente normal mas que tinha bastantes fragilidades, que ate ela própria desconhecia. Vivia no mundo normal, até que decidiu criar um novo mundo cheio de muralhas para a proteger achando que assim nunca sofreria. Lá ela encontrava tudo para se proteger pois pensava que se, se protegesse desta maneira iria tornar-se mais forte. Mas não, saiu tudo ao contrário e ela saiu a perder. Ate que mudou de escola, encontrou colegas novos e professores novos, ela não queria para lá, porque tinha medo. Tinha-se habituado à outra escola, aos seus professores, aos seus colegas, a tudo. Foi conhecendo a nova turma aos poucos, para ver se, se integrava...mas, sem efeito. Ela estava demasiado frágil e eles não compreendiam e gozavam com ela, e ela ia enfraquecendo aos poucos. Mas, ainda com algumas forças conseguiu aumentar as suas muralhas para quando se sentisse triste, isolar-se. No seu mundo, ela sofria, fazia juras a si mesma de que iria voltar a levantar-se. Sempre que tentava sair daquele abismo, caía. Já com poucas forças, ela voltou a tentar subir as muralhas, até que voltou a cair, sentiu-se sozinha, com pouca confiança em si mesma e por isso, sofria.
Até que com o tempo, dentro do grupo se destacou um rapaz. Ele era o oposto da rapariga. Enquanto ela era muito tímida, ele era extrovertido, enquanto ela não tinha confiança nenhuma em si mesma, ele era a pessoa mais confiante que já conhecera até aquela altura, mas tinha um defeito, o facto de pertencer aquele grupo que gozava com ela, deixava mal. Ele era definitivamente o pior.
Ela odiava-o de tal maneira, que ela própria tinha medo desse medo, pois para ela, esse rapaz tinha a mania. Até que esse ódio inverteu-se. Ela apaixonou-se pelo rapaz que mais odiava à fase da Terra. Não queria acreditar, a vida tinha-lhe pregado uma rasteira.
Passado algum tempo, eles começaram a tornar-se amigos. E ela percebeu que afinal tinha-se enganado a seu respeito. Começaram a conversar mais, e para ela, ele tornara-se um melhor amigo que nunca tivera. Todos os dias (incluindo, fins de semana), eles arranjavam maneira de conversarem, utilizando diversos meios, desde o telemóvel à Internet. Ela nutria cada vez mais carinho por ele, ele estava a ajuda-la a trepar aquelas muralhas, em que ela antes rejeitava qualquer ajuda. Ele simplesmente, a ouviu. Ela, sentiu-se bem e ao mesmo tempo segura de si mesma. Percebeu que tinha mais valor do que aquilo que pensava, e que afinal fazia diferença e não estava neste mundo por acaso.
Com a convivência, o grupo deixou-a de chatear. Ela tinha mudado, para melhor, graças a ele.
Até que certa altura, ela não conseguia esconder que gostava dele, e várias pessoas da turma lhe perguntaram se ela gostava dele, mas ela respondia sempre negativamente, e que eram só os melhores amigos.
Até que uma amiga dela lhe perguntou se ela gostava do tal rapaz, e ela afirmou, mas que não queria que ele soubesse, pois ele tinha-a ajudado a subir e se ele soubesse que ela gostava dele, ela iria sentir-se mal, pois eles eram os melhores amigos, mas ela, não sabia como ele iria reagir.

Semanas depois, ele tinha descoberto que ela gostava dele. Conversaram, e ela sentiu-se triste, pois tinha medo de perder a amizade dele. Nervosa, pois não sabia como reagir no dia seguinte, abriu a janela, e deixou o seu pensamento fluir no espaço. Ela tinha pintado um quadro que demonstrava duas pessoas juntas a olharem em direcção ao por do sol, na praia. Nessa noite, ela não dormira quase nada, pois estava ansiosa.
Finalmente chegou o dia seguinte, ela acordou, fez a sua rotina normal, e foi para a escola. Lá, ela encontrou-se com ele, ela mal conseguia olhar para ele, tinha vergonha de sim mesma. Sentaram-se, conversaram, até que ele a pediu em namoro, dizendo que gostava dela, tanto como ela gostava dele. Tinha a cabeça a andar à roda, nunca pensara ouvir aquilo, parecia surreal. Pensou que era um sonho, mas não, estava mesmo a viver aquele momento. Esperou alguns segundos, depois de tomar consciência de que era real e disse que sim. E beijaram-se.
Um novo brilho estava no olhar dela, sentia-se feliz, mas tinha medo de o demonstrar. Ainda estava a assimilar toda aquela informação, que para ela era muito boa. Estava feliz, e pronto.
Dias após dia, semana após semana, mês após mês, eles entendiam-se bem. Eram seres perfeitos. =)
Até que chegam as férias dando origem a saudades, e a alguma tristeza, pois não iriam estar tantas vezes juntos. Então começaram a combinar dias para se encontrarem durante as férias, de modo a conseguirem matar todas as saudades que tinham acumulado até aquele dia.
Com a chegada das aulas, ambos confessavam um ao outro que estavam com saudades das aulas, pois assim iriam estar todos os dias juntos, e aproveitar todo o tempo do mundo.
Conversavam, e chegaram à conclusão que talvez tudo aquilo iria acabar, pois provavelmente iriam ingressar em universidades diferentes, eles ficaram tristes. Gostavam mesmo um do outro, separarem-se era muito mau.
Até que mais tarde ele lhe mandou uma mensagem dizendo: “Ah tive a pensar e mesmo que fiquemos em universidades diferentes podes ficar descansada que não te troco por ninguém...Amo-te demais para te perder por meia dúzia de quilómetros!”. Quando leu a mensagem que tinha no seu telemóvel, não queria acreditar, e por isso leu mais do que uma vez.
Sentiu-se feliz, o seu sorriso que tinha ficado triste, renasceu. Eles estavam felizes, pois conseguiram saltar juntos para o outro lado da muralha que a vida tinha construído de propósito para eles, só, e apenas, para ver o amor que nutriam um pelo outro.

Um amor à prova das muralhas da vida.


Para Ti, com AMOR.




Andreia Vidal * =)