
Ela, uma rapariga aparentemente normal mas que tinha bastantes fragilidades, que ate ela própria desconhecia. Vivia no mundo normal, até que decidiu criar um novo mundo cheio de muralhas para a proteger achando que assim nunca sofreria. Lá ela encontrava tudo para se proteger pois pensava que se, se protegesse desta maneira iria tornar-se mais forte. Mas não, saiu tudo ao contrário e ela saiu a perder. Ate que mudou de escola, encontrou colegas novos e professores novos, ela não queria para lá, porque tinha medo. Tinha-se habituado à outra escola, aos seus professores, aos seus colegas, a tudo. Foi conhecendo a nova turma aos poucos, para ver se, se integrava...mas, sem efeito. Ela estava demasiado frágil e eles não compreendiam e gozavam com ela, e ela ia enfraquecendo aos poucos. Mas, ainda com algumas forças conseguiu aumentar as suas muralhas para quando se sentisse triste, isolar-se. No seu mundo, ela sofria, fazia juras a si mesma de que iria voltar a levantar-se. Sempre que tentava sair daquele abismo, caía. Já com poucas forças, ela voltou a tentar subir as muralhas, até que voltou a cair, sentiu-se sozinha, com pouca confiança em si mesma e por isso, sofria.
Até que com o tempo, dentro do grupo se destacou um rapaz. Ele era o oposto da rapariga. Enquanto ela era muito tímida, ele era extrovertido, enquanto ela não tinha confiança nenhuma em si mesma, ele era a pessoa mais confiante que já conhecera até aquela altura, mas tinha um defeito, o facto de pertencer aquele grupo que gozava com ela, deixava mal. Ele era definitivamente o pior.
Ela odiava-o de tal maneira, que ela própria tinha medo desse medo, pois para ela, esse rapaz tinha a mania. Até que esse ódio inverteu-se. Ela apaixonou-se pelo rapaz que mais odiava à fase da Terra. Não queria acreditar, a vida tinha-lhe pregado uma rasteira.
Passado algum tempo, eles começaram a tornar-se amigos. E ela percebeu que afinal tinha-se enganado a seu respeito. Começaram a conversar mais, e para ela, ele tornara-se um melhor amigo que nunca tivera. Todos os dias (incluindo, fins de semana), eles arranjavam maneira de conversarem, utilizando diversos meios, desde o telemóvel à Internet. Ela nutria cada vez mais carinho por ele, ele estava a ajuda-la a trepar aquelas muralhas, em que ela antes rejeitava qualquer ajuda. Ele simplesmente, a ouviu. Ela, sentiu-se bem e ao mesmo tempo segura de si mesma. Percebeu que tinha mais valor do que aquilo que pensava, e que afinal fazia diferença e não estava neste mundo por acaso.
Com a convivência, o grupo deixou-a de chatear. Ela tinha mudado, para melhor, graças a ele.
Até que certa altura, ela não conseguia esconder que gostava dele, e várias pessoas da turma lhe perguntaram se ela gostava dele, mas ela respondia sempre negativamente, e que eram só os melhores amigos.
Até que uma amiga dela lhe perguntou se ela gostava do tal rapaz, e ela afirmou, mas que não queria que ele soubesse, pois ele tinha-a ajudado a subir e se ele soubesse que ela gostava dele, ela iria sentir-se mal, pois eles eram os melhores amigos, mas ela, não sabia como ele iria reagir.
Semanas depois, ele tinha descoberto que ela gostava dele. Conversaram, e ela sentiu-se triste, pois tinha medo de perder a amizade dele. Nervosa, pois não sabia como reagir no dia seguinte, abriu a janela, e deixou o seu pensamento fluir no espaço. Ela tinha pintado um quadro que demonstrava duas pessoas juntas a olharem em direcção ao por do sol, na praia. Nessa noite, ela não dormira quase nada, pois estava ansiosa.
Finalmente chegou o dia seguinte, ela acordou, fez a sua rotina normal, e foi para a escola. Lá, ela encontrou-se com ele, ela mal conseguia olhar para ele, tinha vergonha de sim mesma. Sentaram-se, conversaram, até que ele a pediu em namoro, dizendo que gostava dela, tanto como ela gostava dele. Tinha a cabeça a andar à roda, nunca pensara ouvir aquilo, parecia surreal. Pensou que era um sonho, mas não, estava mesmo a viver aquele momento. Esperou alguns segundos, depois de tomar consciência de que era real e disse que sim. E beijaram-se.
Um novo brilho estava no olhar dela, sentia-se feliz, mas tinha medo de o demonstrar. Ainda estava a assimilar toda aquela informação, que para ela era muito boa. Estava feliz, e pronto.
Dias após dia, semana após semana, mês após mês, eles entendiam-se bem. Eram seres perfeitos. =)
Até que chegam as férias dando origem a saudades, e a alguma tristeza, pois não iriam estar tantas vezes juntos. Então começaram a combinar dias para se encontrarem durante as férias, de modo a conseguirem matar todas as saudades que tinham acumulado até aquele dia.
Com a chegada das aulas, ambos confessavam um ao outro que estavam com saudades das aulas, pois assim iriam estar todos os dias juntos, e aproveitar todo o tempo do mundo.
Conversavam, e chegaram à conclusão que talvez tudo aquilo iria acabar, pois provavelmente iriam ingressar em universidades diferentes, eles ficaram tristes. Gostavam mesmo um do outro, separarem-se era muito mau.
Até que mais tarde ele lhe mandou uma mensagem dizendo: “Ah tive a pensar e mesmo que fiquemos em universidades diferentes podes ficar descansada que não te troco por ninguém...Amo-te demais para te perder por meia dúzia de quilómetros!”. Quando leu a mensagem que tinha no seu telemóvel, não queria acreditar, e por isso leu mais do que uma vez.
Sentiu-se feliz, o seu sorriso que tinha ficado triste, renasceu. Eles estavam felizes, pois conseguiram saltar juntos para o outro lado da muralha que a vida tinha construído de propósito para eles, só, e apenas, para ver o amor que nutriam um pelo outro.
Um amor à prova das muralhas da vida.
Para Ti, com AMOR.
Andreia Vidal * =)